CINE73 REÚNE CERCA DE 500 PESSOAS EM QUATRO DIAS DE FESTIVAL DE CINEMA EM CARAÍVA
Quarta edição teve realizadores de diferentes regiões do país, ações nas escolas e mostras dedicadas às produções negra, indígena e do Sul e Extremo Sul da Bahia
A quarta edição do Cine73 – Festival de Cinema Regional reuniu cerca de 500 participantes entre os dias 19 e 22 de agosto, em Caraíva, distrito de Porto Seguro, no Extremo Sul da Bahia. A programação gratuita promoveu exibições, debates, atividades nas escolas e encontros entre realizadores, artistas, estudantes, moradores e visitantes.
O festival recebeu profissionais de São Paulo e Rio de Janeiro, além de produtores e realizadores do Sul e Extremo Sul da Bahia, colocando em contato diferentes experiências e trajetórias do audiovisual brasileiro.
A edição foi aberta com o documentário “Aqui Não Entra Luz”, de Karol Maia, filme convidado do Cine73 em 2026. A diretora esteve em Caraíva e conversou com o público após a sessão. Ao abordar os vestígios da escravidão presentes na arquitetura e nas relações sociais brasileiras, o longa trouxe para a abertura questões que atravessaram a programação deste ano: território, memória e diferentes experiências e narrativas do país.
“O Cine73 teve muito cinema, mas também muita troca. Vivemos a gastronomia local, o território, conhecemos histórias incríveis, espaços culturais”, afirmou Nina Novaes, produtora audiovisual e de impacto e convidada da segunda edição do Café com Prosa – Conversas sobre cinema, território e criação.
As mostras Identidade Negra, Povos Indígenas e Regional 073 integraram a programação, que ganhou neste ano a Mostra Infantil e a Sessão Retratos. Curador da Mostra Identidade Negra, JV Santos analisou mais de 130 produções durante o processo de seleção.
“Assisti mais de 130 filmes para selecionar para a Mostra Identidade Negra. Pudemos pensar nos nossos fazeres e em como o cinema brasileiro é plural”, afirmou JV Santos, que participou pelo segundo ano da programação do festival.
Cinema, formação de público e produção regional
O Cinema nas Escolas levou o documentário “Belmonte: História, Arquitetura e Memórias” às escolas municipais Alegria do Saber e de Caraíva, com a presença do diretor Elizeu Oliveira. As sessões abriram conversas com os estudantes sobre patrimônio, identidade, memória e território. Já a Mostra Infantil reuniu cerca de 100 crianças na Sala de Capoeira da Associação dos Nativos de Caraíva (ANAC).
A produção audiovisual do Sul e Extremo Sul da Bahia também esteve entre os destaques. “Só o Brega Salva”, de André Castro Neto, filme convidado da Mostra Regional 073, foi produzido com elenco, equipe técnica e locações da região. A protagonista Aylla Ferraz, de Porto Seguro, esteve no festival e conversou com o público sobre sua participação no filme e a representatividade de artistas e histórias LGBTQIA+ produzidas fora dos grandes centros.
Pela primeira vez, o Cine73 recebeu também atrizes de filmes selecionados. Além de Aylla, Jamile Cazumbá acompanhou a exibição de “O Céu Não Sabe Meu Nome”, de Carol AÓ, no qual atua ao lado da avó, Inês Mendes, e participou da conversa sobre memória, ancestralidade e as narrativas presentes no filme.
O intercâmbio entre profissionais também marcou a segunda edição do Café com Prosa, sessão especial do Caraíva Cineclube. Com Nina Novaes e mediação de JV Santos, o encontro reuniu produtores e realizadores para uma conversa sobre produção de impacto, articulação de redes e circulação audiovisual.
Realizado pela Saruê Cultural, o Cine73 chegou à quarta edição com uma programação voltada à circulação do cinema brasileiro independente, à formação de público e ao fortalecimento da produção audiovisual do Sul e Extremo Sul da Bahia.
Cine73 – Festival de Cinema Regional | 4ª edição
19 a 22 de agosto de 2026 | Caraíva – Porto Seguro (BA)
Instagram: @festivalcine73
Patrocínio: Savá e Prefeitura de Porto Seguro
Realização: Saruê Cultural
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